O fim do mundo

Quando o grande relógio na Inglaterra anunciou a chegada do novo dia, pessoas pelas ruas desesperadas clamavam por seus deuses ou se entregavam aos desvarios em orgias e nudez explicita pelas ruas de todas as cidades do mundo.

Mas o fim que ninguém esperava acontecia em uma dimensão paralela a terra, ali o Estige secara dando fim a um ciclo de milênios, o barqueiro agora desempregado reunia as moedas acumuladas em frente aos portões protegidos pela besta de três cabeças.

Na terra a agonia dos suicidas se prolongava, pessoas com cordas amarradas no pescoço balançam freneticamente suas pernas suspensas no ar implorando para que o Ceifador aparecesse, outros sentiam o gosto da pólvora no fundo de suas gargantas ensanguentadas ou olhavam através do espelho os buracos na testa sem compreender em que lado do véu estavam.

– Então Barqueiro, finalmente comprou a sua liberdade?

– Tenho dó deles, Arcanjo, mas quero descansar ao lado de belas ninfas.

– Fizeste um bom trabalho aqui, todos que eram dignos de uma chance, a tiveram, os que restaram não merecem nem os lagos de fogo.

Aquela luz brilhante que conversava com o barqueiro iluminou o gigantesco portão fazendo com que a fera prostrasse suas cabeças liberando a passagem para aquele corpo esquelético entrar nos domínios de Hades.

Um mês se passou, não que alguém ainda contasse os dias, o desespero tomava conta até dos mais céticos, afinal não tinha como ser cético a aquilo: Pessoas caminhavam deformadas pela violência de seus irmãos, nem mesmo aqueles que tinham seus corpos completamente pulverizados conseguiam cruzar o véu, suas vozes permaneciam na Terra, sussurrando agonias para qualquer um ouvir.

-Isso é apenas o começo, Arcanjo. Ainda correrá alguns milênios sem lei alguma regendo os macacos daquele pequeno risco brilhante no universo. Ditou uma voz grave vinda do escuro.